Seja através do college ou não, a história da Miriam e do Murilo é um alerta para todas famílias que estão focadas no processo de imigração canadense.  É uma mudança de vida que precisa ser levada muito a sério e exige tempo e planejamento.

Eles chegaram no Canadá em 2016, direto de São Paulo, conscientes de que o caminho seria longo, mas talvez não tão complexo. Hoje já estão colhendo os frutos de tanto esforço e dedicação. 

O segredo é acreditar no ditado: o que não mata nos fortalece. Confira a história desta família que conseguiu virar o jogo no segundo tempo.

Canadiando: Por que escolheram esta província/cidade?

Míriam: Porque já tínhamos alguns amigos que moravam em Toronto, então foi mais fácil iniciar por aqui.

Canadiando: Qual o motivo que trouxe vocês para o Canadá?

Miriam: A busca pela qualidade de vida e segurança para as minhas filhas. Morávamos em São Paulo nos últimos dez anos, e a situação estava cada vez pior.

Canadiando: Qual era o planejamento inicial / alguma coisa mudou na chegada?

Míriam: Mudou tudo. A princípio, eu faria dois anos de College, enquanto o meu marido iria trabalhar. Depois da graduação a idéia era pegar o PGWP e dentro de um ano e meio aplicar para a residência permanente. Mas vimos nosso planejamento ruir completamente. 

Canadiando: Mas o que aconteceu de tão grave?

Míriam: A história é longa, mas faço questão de compartilhar para alertar a todos. 

Por conta do meu primeiro College ser privado, eu não tive o direito de aplicar para o PGWP. O fato é que soube dessa informação um mês antes da minha graduação.

Fui orientada pelo meu advogado da época, a aplicar para um novo College, no caso, uma instituição pública. Essa seria, então, a única alternativa para continuarmos no Canadá.

Já não tínhamos condição financeira alguma de assumir o pagamento de um novo College, já que o valor era alto e exigia pagamento a vista. Me desesperei.

E no meio de toda confusão soube que existia um processo movido por outros alunos da instituição que foram lesados pelo mesmo motivo: haviam comprado a idéia de que o curso era elegível para PGWP.

Por fim, o college tentou se redimir com uma contraproposta. Os alunos que abrissem mão de pegar o diploma seriam ressarcidos integralmente, e foi assim que resolvi parte do problema. Recebi o dinheiro e rapidamente me matriculei para iniciar um novo curso de mais dois anos no Centennial College, em Toronto.

Canadiando: E você teve que enfrentar mais dois anos? Você chegou a pensar em voltar ao Brasil?

Míriam: Não, essa possibilidade não existiu. Viemos para ficar. Mas todo esse stress, somado à espera por mais dois anos de College, a responsabilidade de ter que trabalhar, a preocupação com as minhas filhas, entre outras coisas, se tornou insustentável. O college exigia muita dedicação e isso foi acabando comigo.

Por fim, desenvolvi uma depressão severa, muito forte. Só consegui sair graças ao suporte médico, do meu marido e dos pastores da minha igreja. O processo de recuperação durou aproximadamente um ano e meio e hoje posso dizer que estou curada.

Em maio de 2019 consegui me graduar no College e quando fomos na fronteira, em Niagara, para solicitar pedir o PGWP  tivemos outra surpresa. O Work Permit do meu marido havia sido negado! Infelizmente tivemos contato com uma agente de imigração que não sabia das regras. Foi um dia muito estressante, pois eu sabia dos meus direitos e a agente de imigração não sabia as regras.

Conclusão: saímos daquela fronteira sem o Work Permit do meu marido. Fomos direto para a fronteira vizinha correr atrás do prejuízo, porque eu tinha convicção dos meus direitos como estudante internacional. Na fronteira de “Rainbow” eu contei toda a história para um outro agente, que ficou chocado com o meu relato. Ele nos pediu desculpas por toda incomodação e concedeu o visto de trabalho. 

Canadiando: Qual o nível de inglês de vocês na chegada?

Míriam:  Zero. Ninguém falava nada tivemos que aprender sozinhos, porque não tínhamos dinheiro para contratar um professor particular ou ir para uma escola de inglês.
O processo de aprendizagem levou aproximadamente um ano e o das minhas filhas seis meses. Na época a Mirela tinha seis e a Marcela quatro anos.

Canadiando: O que foi mais difícil deixar para trás?

Míriam:  Com toda certeza a família e as praias catarinenses.

Canadiando: Como você avalia os cursos e as instituições que estudou?
Míriam:  No primeiro, Anderson College, fiz Physiotherapist Assistant e não gostei porque achei o curso muito fraco. O segundo, Business and Marketing, fiz na Centenial College. Eu diria que é uma instituição mais estruturada, no entanto, como fui literalmente obrigada a fazer, eu não aproveitei tanto o curso. Mas recomendo. 

Para se dar bem no Canadá você precisa desapegar da família,estar bem preparado no setor financeiro e emocional

Canadiando: Vocês já estão trabalhando na área, certo? É difícil se recolocar no mercado canadense?

Míriam: Meu marido ainda não está trabalhando na sua área, pois encontra dificuldade em se recolocar no setor de engenharia ambiental. Eu já estou na minha, que é a fotografia.

Eu aconselho a todos que antes de tentarem a vida no Canadá, estudem inglês e já venham com fluência no idioma. Isso fará muita diferença, junto com uma boa reserva financeira.

Canadiando: Vocês já pensaram na possibilidade de mudar de província?

Míriam: Hoje não tenho vontade. Mas se for necessário, gostaria de ir para um lugar que não fosse tão frio.

Canadiando: Qual foi a sua principal fonte de pesquisa sobre o Canadá?

Míriam: Os amigos que moravam aqui. 

Canadiando:
Você usou o serviço de alguma consultoria educacional? Como foi a experiência?
Arquivo Pessoal

Míriam: Sim, usei. A Ana Paula, da “De Boa no Mundo” me acompanhou, principalmente para resolver o problema que tive com o college. Isso me deu bastante segurança num processo tão complicado e incerto. Ela me orientou em todos os passos e foi peça fundamental para organizar essa questão de estudo.

Canadiando: Você já tinha vindo para o Canadá antes? 
Míriam: Sim, em 2014 a trabalho. Uma família de brasileiros viu meu trabalho como  fotógrafa na internet e me contratou. Me lembro que na época eu fiquei aqui por uma semana e fotografei onze famílias. Foi uma loucura, mas muito divertido.
Canadiando: As expectativas da “vida canadense” bateram com a realidade?
Míriam: A expectativa de qualidade de vida e segurança forem supridas. No entanto, foi tudo muito difícil para a minha família e hoje tenho a impressão de que o Canadá, ou melhor, as leis canadenses não são tão justas e amigáveis para quem deseja fazer o processo legalmente.
Digo isso porque existem mais leis que protegem as pessoas que estão aqui ilegais do que de forma legal.

Canadiando: Qual seu conselho para quem está iniciando o seu Projeto Canadá?

Míriam: Faça uma planilha de prós e contras e se a sua conclusão ainda for vir para o Canadá se prepare financeiramente e principalmente emocionalmente, porque aqui é a terra onde o filho chora e a mãe não vê.

Eu não vou romantizar o processo de imigração. Muitas pessoas vem para o Canadá e não conseguem suportar toda demanda e pressão psicológica. Até para fazer o college. 

Canadiando: Teria feito algo diferente se tivesse a experiência de hoje?

Míriam: Sim, teria avaliado melhor e não viria com tanta confiança somente nos amigos que já estavam bem resolvidos aqui.

Canadiando: Que conselho você gostaria ter recebido antes de vir?

Míriam: Gostaria que alguém tivesse me alertado que o primeiro College não me daria o PGWP   e que eu tivesse estudado mais inglês. Só com isso já teria economizado muitas lágrimas. 

 Você pode acompanhar a Míriam pelo Instagram através do Studio Massei.

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O Projeto Canadá busca, sobretudo, relatar as histórias dos imigrantes de língua portuguesa que estão recomeçando a vida na América do Norte.

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