Projeto Canadá – rumo a Toronto: Um casal em contagem regressiva !

O que move o seu projeto Canadá ? Sempre faço essa pergunta. Até porque muitas pessoas me procuram para saber como e por onde começar. Talvez o marco inicial seja exatamente refletir sobre “O que você busca para sua vida no Canadá”.  

No caso da Priscila e do André, de Goiânia, como muitos, a desilusão com a situação econômica do Brasil foi o ponto principal. Eles já estão estabelecidos profissionalmente e levam (ou levavam)  um vida relativamente tranquila.  Mesmo assim resolveram seguir um novo caminho. Chegamos a trocar algumas informações pelo Instagram. Dei meus pitacos durante a viagem exploratória que fizeram pelo País e curti as milhares de fotos do “Cao”, um cocker spaniel lindo que me faz lembrar o “Brutus” –  meu cachorro de infância. 

Para quem está começando agora o seu planejamento, anotem as dicas preciosas deste casal que está se despedindo do Brasil. A Priscila chegará primeiro em Toronto, mas até o final de 2019 a família estará completa em terras canadenses. É mais um #projetocanadá colocado em prática. Confira:

Canadiando: Conte mais detalhes sobre como vocês iniciaram esse projeto Canadá ?
Priscila e André: Nós estávamos desiludidos com as poucas perspectivas de desenvolvimento do Brasil e, no começo de 2017, apresentamos artigos científicos em um congresso de economia nos Estados Unidos. Nossos trabalhos foram muito bem recebidos e nós tivemos ótimas críticas. Foi ali que percebemos que poderíamos ter uma carreira fora do país.  Nós voltamos para o Brasil em março  já  com vontade de emigrar. Pesquisamos sobre o tema e vimos que tínhamos sim chance de conseguir a residência permanente. Colocamos o projeto em andamento quase imediatamente: iniciamos no dia 10 de abril enviando os documentos para a revalidação de diplomas e terminamos o processo dia 11 de setembro de 2017, quando então recebemos os passaportes com o visto.

Canadiando:  O que pesou na escolha por Toronto? 
Priscila:  Foi muito difícil escolher uma cidade. No começo de 2018, fizemos um “soft landing” como residentes permanentes e aproveitamos para fazer uma viagem exploratória. O problema é que gostamos de todas as cidades por onde passamos, o que deixou a escolha ainda mais difícil. 

O André adorou Montreal. O lugar é bonito, as pessoas são receptivas, o transporte público é bom, o custo de vida não é tão alto e há bons empregos na nossa área. Acho que Montreal tem até mais opções de lazer que Toronto e fiquei com a impressão que as pessoas de lá valorizam a vocação turística local. O problema é que não falamos francês.  

Eu, Priscila, já fui para o Canadá achando que não iria gostar de Toronto e a cidade me surpreendeu. É  bonita e não tem aquele “clima de pressa” das metrópoles. O inverno não é tão rigoroso. O

Arquivo pessoal

transporte público é muito bom e não é necessário colocar os animais em bolsas de transporte, eles podem andar usando somente coleira e guia. Também há muitas opções de lazer, e, para mim, que sou do interior, o lago é uma verdadeira praia ! Depois que voltamos para o Brasil, comecei a pesquisar empregos na nossa área e percebi que grande parte  das vagas é nas sedes das empresas em Toronto. A única coisa que pesa contra a cidade é o custo de vida mais elevado. 

Canadiando:  A idéia é estudar, trabalhar ?

Priscila: Nós já somos residentes permanentes e a idéia é chegar e trabalhar. A minha intenção é procurar um emprego operacional já de início e não ficar parada. Assim ganho tempo para procurar um trabalho relacionado à economia. Eu sou professora universitária, mas pretendo sair do meio acadêmico e migrar para a área de research, analytics ou business intelligence em empresas. Eu também gosto de estudar e não descarto fazer uma pós-graduação. O André vai continuar trabalhando no Brasil por um tempo e isso nos dará um pouco mais de segurança financeira no começo.

Canadiando:  Você já falava inglês ou francês ?
Priscila: Sim, tanto eu, quanto o André falávamos inglês bem. Na carreira acadêmica, inglês é essencial. O André fez intercâmbio na Nova Zelândia e ele tem uma facilidade muito grande. Desde pequeno, sempre viajou muito, pois sua mãe era comissária de bordo em vôos internacionais. Eu estudei inglês durante toda a adolescência, fiz algumas viagens com meus pais e fiz intercâmbio em 1996. No meu caso, o “speaking” estava bem enferrujado e a viagem para os EUA antes da prova do IELTS foi muito importante.

Um pouco antes de viajar para o Canadá, comecei a estudar francês por um aplicativo. Aprendi algumas palavras e fiquei super feliz por entender um pouquinho de francês em Quebec. Desde que voltei para o Brasil continuo estudando. Usar aplicativos é legal para quem, como eu, não sabe nada. Quando chegar no Canadá quer sim iniciar um curso de francês.

Canadiando:  O que será mais  difícil deixar para trás ?
Priscila: Para mim, o mais difícil será deixar minha mãe. Meus pais eram separados e meu pai já faleceu. Eu sou filha única e, quando disse que ia imigrar, minha mãe ficou muito chateada. Agora ela já está se acostumando com a ideia da imigração e meus tios a estão ajudando a não se sentir sozinha. A família do André encarou a imigração com menos preocupação, mas deixar a família é sempre complicado. Para ele, o mais difícil será não ter a perspectiva de poder visitar a família sempre que desejar.
Arquivo pessoal

Canadiando: Pelas suas pesquisas, para qual província você não iria? Qual o motivo ?
Priscila: No momento, não iríamos para Yukon, Northwest Territories e Nunavut, pois são locais muito isolados. Quem sabe um dia quando estivermos bem adaptados. Eu adoraria conhecer Saint John’s, em Newfoundland and Labrador, simpatizo muito com a cidade.

Canadiando: Qual a sua principal fonte de pesquisa sobre o Canadá ?
Priscila: Acho que a nossa trajetória foi oposta à maioria das pessoas. Nossa primeira fonte foi o site do governo canadense, eu li praticamente o site todo antes de procurar outras fontes. Depois, eu comecei a ler alguns blogs de brasileiros que estavam indo para o Canadá. Os blogs Partiu Canada e Casal Nerd no Canada foram especialmente úteis durante o processo de imigração. Gostei da ideia e também criei um blog para contar mais sobre nosso processo “A cocker in Canada”. O André entrou em dois grupos de WhatsApp de pessoas que já tinham recebido o ITA e foi ótimo. Eu sigo alguns canais no YouTube, mas confesso que não tenho muita paciência para ver vídeos. Também comecei a seguir pessoas no Instagram que estão em várias cidades. Eu gosto muito de fotos e adoro ver as diferenças entre os lugares!

Canadiando: Usou o serviço de algum consultor ?
Priscila: 
Não usamos nenhuma consultoria. Acho que o fato de meu marido e eu sermos funcionários públicos e estarmos acostumados à burocracia nos ajudou. Tem que ter paciência, ler tudo com muita atenção e conferir todos os documentos, mas não é um bicho de sete cabeças. O lado bom de não usar o serviço de um consultor, além de economizar, é aprender sobre as leis de imigração e sobre como funciona o setor público no Canadá.

Canadiando: Você já veio para o Canadá antes ?
Priscila: Eu fui para o Canadá pela primeira vez em 1995. Foi uma viagem turística, com meus pais. Nós ficamos uma semana e passamos por Niagara, Toronto, Ottawa, Montreal e Quebec City. Super corrido, mas nós adoramos! No começo deste ano, eu e o André fomos para o Canadá para fazer o landing (última etapa do processo de imigração). Foi a primeira viagem do André para o país e nós procuramos conhecer o máximo possível. Chegamos por Halifax, passamos por Moncton, Quebec City, Montreal, Ottawa e Toronto. Fomos de Halifax para Moncton de ônibus e, depois, fizemos os outros trechos de trem. De Toronto, alugamos carro duas vezes para conhecer cidades próximas. Fomos a Niagara, Niagara-on-the-Lake, Guelph, Kitchener, Waterloo, Cambridge, Woodstock e London. Nós conhecemos brasileiros em várias cidades e pudemos conversar sobre morar em cada local. A viagem foi excelente e nós confirmamos que o Canadá é o país onde queremos viver.       

Não nos importamos em dar alguns passos para trás se tivermos liberdade e nossa vida no Canadá for mais feliz !

Canadiando: Como você imagina a sua nova vida por aqui ?
Priscila: Imaginamos uma vida tranquila, com mais tempo para fazer coisas simples, como ler, passear pela cidade ou cozinhar. Nossa casa certamente será minimalista, um apartamento pequeno, sem carro, poucas roupas e muito DIY ( Do it Yourself !). Acreditamos que o início da vida profissional será a parte mais difícil, mas imaginamos um trabalho menos estressante e sem a necessidade de compartilhar nossa vida pessoal com colegas de trabalho. Além disso, achamos que há boas oportunidades profissionais para quem mostra mérito e dedicação. Aos poucos, esperamos conhecer lugares legais, viajar, aderir aos costumes locais e construir nossa cidadania canadense. 

Arquivo pessoal

Canadiando:  Qual seu maior medo em emigrar do Brasil ?
Priscila: No curto prazo, tenho medo de ficar muito sozinha, já que o André vai voltar para o Brasil. No longo prazo, estaremos juntos, mas tenho receio de não encontrar amigos que se tornem nossa “família canadense”. Para o André, o maior medo é de como será o nosso estabelecimento profissional no Canadá. Por mais que não nos importemos em dar alguns passos atrás em nossas carreiras, a incerteza sobre o futuro é um pouco angustiante.

Canadiando:  Você também cogitou imigrar para outros países ?
Priscila: Pesquisamos rapidamente EUA, Austrália e Nova Zelândia. Nos EUA, a imigração para nós só seria possível se conseguíssemos um emprego e o visto seria vinculado a este. A Austrália e a Nova Zelândia têm processos para trabalhadores qualificados parecidos com o Canadá, mas achamos que eram mais “arriscados”. No Canadá, nós usamos a experiência profissional brasileira para conseguir pontos para a imigração, mas não temos que conseguir empregos com o mesmo nível de qualificação. Além disso, o Canadá é mais próximo do Brasil e os custos com viagens são menores.

Canadiando: Qual seu conselho para quem está iniciando o seu Projeto Canadá ?
Priscila: Além dos conselhos tradicionais, como pesquisar fontes oficiais, estudar inglês (ou francês) e economizar, é importante conferir os critérios de imigração e a documentação comprobatória com bastante atenção. É fundamental não ter pressa. Eu e o André, por causa do nosso trabalho, estamos “imigrando aos poucos” e, com isso, aprendemos muito sobre o país. Esse conhecimento é importante para não criarmos falsas expectativas e não nos frustarmos. Hoje, temos mais certeza sobre o que esperar do Canadá e estamos nos sentindo preparados para a mudança. 

O Projeto Canadá visa contar as que conta as histórias dos futuros imigrantes de língua portuguesa que estão planejando o melhor caminho para  recomeçar a vida na América do Norte. 

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Porque a odisséia começa bem antes de pisar em terras canadenses. 🍁

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