Mães do Canadá: Criando filhos bilíngues (ou trilíngues)

Essa é uma das perguntas “top 10” do Canadiando. Diversas mães me questionam sobre como fazer para que as crianças continuem falando Português e ainda consigam aprender bem uma segunda ou até terceira língua.

Pois bem, eles darão conta do recado. Vocês já ouviram falar na história do HD vazio ? É isso. Criança tem espaço, curiosidade e absorve mais rápido. Enquanto nós estamos perdidos entre um universo de informações adquiridas ao longo da vida, eles estão apenas começando a percorrer esse caminho. 

Como moro numa província bilíngue (New Brunswick) o desafio aqui é dobrado. As crianças escutam e se viram diariamente com o Inglês e o Francês. Meu filho, hoje com 7 anos, veio para o Canadá com apenas um ano e meio. Já a minha filha, de três, é cria da terra. Os dois dominam fluentemente as duas línguas e mais o Português.

Mas vamos por partes. Vou comentar sobre o tema baseada na minha experiência em terras canadenses. Entenda que o que foi melhor pra mim pode não ser para você.

Em casa só falamos Português
Sim. Dentro de casa é proibido fugir da língua da mamãe. E desde o início foi assim. Muita galinha pintadinha, livros infantis e música popular brasileira, entre outros. Houve um momento que meu filho ensaiou evitar o idioma. Mas logo mostrei a ele que essa era a nossa língua secreta. Isso foi o suficiente para a coisa se tornar extremamente interessante. Afinal de contas, podíamos nos comunicar em qualquer lugar sem ninguém entender.
No entanto, meus dois filhos tem um pouco de sotaque, isso não há como evitar. Mas o Português de ambos é bem estruturado e eles já arriscam algumas palavras mais elaboradas. Achei importante manter a língua principalmente para que pudessem se comunicar com a família no Brasil. Além disso, conhecer um terceiro idioma será um diferencial competitivo na vida profissional deles.

Creche bilíngue
Em Ontário meu filho chegou a frequentar uma creche Anglofônica até os três anos de idade. Quando mudamos para New Brunswick, em 2016, ele ainda ficou um ano na creche bilíngue. E a transição para aprender o Francês foi bem tranquila. Posso dizer que em poucos meses ele já estava bem solto com o idioma. Hoje minha filha frequenta a mesma creche, mas ela não simpatiza tanto com o Francês como ele. Enfim, as crianças não são todas iguais.

Escola Francofônica
Em New Brunswick a vida escolar no maternal (ou kindergarten) inicia aos 5 anos de idade. Meu filho, Martin, começou seus estudos há dois anos com a sua alfabetização em   Francês. Aqui em NB existe essa divisão que eu ainda não compreendo muito bem. Você que escolhe se seu filho vai estudar na escola inglesa ou francesa e é tudo absolutamente separado ( veja mais nesse antigo post ) .

E por que escolhemos a escola francesa ? Aqui vão os três principais motivos:

  • O Francês, como o Português, é uma língua derivada do Latim. Achamos que seria mais fácil para ele compreender, e até escrever em Português, se aprendesse a base em Francês. Isso porque a estrutura do idioma se assemelha muito ao Português.
  • Gostei muito  das escolas francofônicas que visitei: ambiente colorido, super limpo e agradável. Percebi que há uma preocupação muito grande com o bem estar dos alunos. Isso me interessou bastante. É uma abordagem de ensino que foge um pouco daquele modelo tradicional que estamos acostumados. E o melhor de tudo:  meu filho adora ir à escola. 
  • Vejo por aqui muitos adolescentes que não falam Francês, embora esta seja a segunda língua oficial do Canadá. Isso significa que se você souber bem as duas já sai na frente. No caso do inglês – meu filho nunca estudou e já fala e escreve muito bem. Mas como isso pode acontecer ? É simples, ele vive rodeado pelo idioma. Tudo é em Inglês: filmes, jogos no iPad e etc. A língua inglesa não é difícil de aprender se você vive  num ambiente onde ela impera. Mas com o Francês, bem como o Português, as coisas não são bem assim. Você pode até se virar pra falar, mas se não estudar, esqueça a escrita. A língua francesa é bem complexa. Desta forma, optamos por iniciá-lo na alfabetização em francês e o arrependimento é zero. Alguns momentos foram difíceis sim. Até porque é complicado para nós esclarecer todas dúvidas. Nosso Francês não é super avançado e acabamos aprendemos mais que ensinando. Até por isso que a escola oferece  suporte aos alunos que estejam neste processo de “francização”.  E ainda conseguimos uma professora particular que foi um verdadeiro anjo !

Para quem está se mudando para o Canadá, não tenha medo. Como eu sempre digo e repito, as crianças sempre surpreendem. Vivemos um país de imigrantes e as escolas estão preparadas para tal. No caso de  New Brunswick, não se precipite. Aposte no que lhe agrada mais. Visite as escolas, converse com os professores e veja onde seus filhos se sentem melhor. Nada impede que eles iniciem seus estudos num idioma e depois mudem. O importante é que a língua não seja um empecilho e sim algo enriquecedor. : )

Para quem quiser saber mais sobre escolas, creche e educação no Canadá. Veja os links abaixo:

Confira também os textos das outras participantes do projeto. Todo dia 20 do mês tem novidade no site:

Adriane Jungues (Ottawa/Ontario) Like a New Home 
Alessandra Cayley (Toronto/Ontario) Alicia e Outros Papos
Alessandra Schneider (Bathurst/New Brunswick) Canadiando
Amanda Aron (Winnipeg/Manitoba) Viva Manitoba 
Beatriz Ortiz (Vancouver/British Columbia) Biba Cria 
Carol Almeida (Mississauga/Ontario) Minha Neve e Cia 
Carol Camanho (Vancouverr/British Columbia) Fala Maluca
Danielle Vidal (Toronto/Ontario) VidalNorte
Gabriela Ghisi (Toronto/Ontario) Gaby no Canada
Livi Souza (Toronto/Ontario) Baianos no Polo Norte 
Mariana Baltar (Calgary/Alberta) De bem com a vida no Canadá
Vanessa Adell (Calgary/Alberta) Partiu Canada

 

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